domingo, 18 de abril de 2010

Efeitos indesejados


A coerência caminha junto com a solidão!

sábado, 6 de março de 2010

Monique


"Lembro-me do dia que chegou a minha casa, 26 de março de 1997. Pequena, rabugenta e fedida; mas bonita, tinha olhos cor de mel e pelagem tigrada. No começo, ela me mordia com seus pequenos dentes afiados, cavava no quintal, pulava o canil, derrubava-me, jogava futebol comigo. Com a idade, foi deixando todas essas artes.
Toda vez que chego em casa, lembra-me da adolescência. O tempo mostra suas marcas: os pêlos brancos, a visão embaçada, o sono pesado, a respiração ofegante; não resta mais muito tempo para minha fiel amiga. Esse período que ainda temos de convivência, tento tratá-la bem.

Não sofro por antecipação, sei que quando a hora dela chegar, irei sentir falta; entretanto isso não me aflige. A impotência em alterar a certeza de sua partida pronta, sim.

Antes desse momento, "



Esse foi um rascunho de um post de deixei de postar. Hoje(2/07/2010), meu amor descansou. A impotência diante do ocorrido incomoda, porém incomoda mais o vazio na frente de casa. Ela que de lá nunca saía, vai deixar-nos definitivamente.
Os olhos cor de mel tinham, hoje, olhar de adeus. Eu que nada podia fazer a retribuía com olhar de amor.
Cinco horas após sua morte sinto mais forte que o adeus fora definitivo.
Obrigado pelos 13 anos de companhia!

Confissão


Estou cansado!


Busco fugir da mediocridade, mas isso não me parece de nada adiantar. Queria me explicar, porém estou cansado!


domingo, 25 de outubro de 2009

Tempo- o devorador!


"Tempo, se seu dono, voltava para o morro!"



Explicando-me: Foi uma tentativa de exprimir um sentimento que tive em certo momento, fazendo analogia entre o rio que corre para o mar e o tempo. Entretanto, como não sou senhor do tempo, me conformo em recordar e em tentar tirar o maior proveito de cada simples e único momento.

Abaixo, coloco a canção Canción de las Simples Cosas e o Link no Youtube:

Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
lo mismo que un árbol en tiempos de otoño muere por sus hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí ...por eso muchacho ...
Demorate aquí ...por eso muchacho ...


http://www.youtube.com/watch?v=fXvz4bkQRZI&feature=related

domingo, 20 de setembro de 2009

O Gaúcho e os diferentes significados do termo





A origem da palavra gaúcho é centro de controvérsia entre os estudiosos. Independente da origem da palavra é consenso que nos primórdios do seu uso, tinha valor pejorativo:

The immense herds, coupled with Spain’s mercantile system which limited the trade that could be carried on by the colonists, gave rise an outlaw class of contraband traders of hides– gauchos.(Murguia, 1986, p. 307)

O sentido pejorativo da palavra gaúcho, numa e noutra banda, mantém-se, quase inalterado, até meados do século XIX. Azara, Saint-Hilaire, o anônimo de Cinco años en Buenos Aires, Arsène Isabelle, Alcide D’Orbigny, todos são concordes em apresentá-los como homens sem lei nem rei, coureadores, changadores, gaudérios; os campistas pertubadores da paz, a que se refere Bettamio, os vagabundos que tanto alarmavam o governador José Custódio, passado tanto anos, ainda não perderam de todo a mobilidade espantosa, a insolência andarenga, o cunho abarbarado.(Meyer, 1957, p. 21)

A alteração do contexto social alterou o significado da palavra, o termo que era utilizado de forma extremamente depreciativa, sem dúvida, era uma das piores formas de se referir a alguém; com o passar do tempo, entretanto, teve seu significado transformado no ideal do gaúcho herói.

O poema épico Martín Fierro, escrito por José Hernández em 1872, em um estilo que reproduzia a linguagem rural gauchesca, era uma síntese da idealização do gaucho (Borges 1980: 108).A história do gaucho que lutava contra a injustiça do Estado a fim de manter sua liberdade foi transformada em modelo para uma "literatura nacional".(Archetti, 2003)

O texto de José Hernándes, sem dúvida, foi marco para a alteração do significado da palavra na memória coletiva. E diante da história do termo fica evidente a afirmação de Fentress e Wickham:

A memória não se ordena como um texto físico, mas, por mais difícil que seja reconhecê-lo, como o próprio pensamento. Não é um receptáculo passivo, mas sim um processo de reestruturação ativa em que os elementos podem ser retidos, reordenados ou suprimidos.(1994, p. 58)

Provavelmente, se não houvesse documentos escritos do século XVIII e XIX, essa conotação pejorativa já haveria sido perdida, esquecida, apagada da memória social. “ Escrever não só congela a memória como a congela sob formas textuais”(Fentress & Wickham, 1994, p. 22), logo esses textos são a única fonte que podem revelar um significado já não mais empregado.

Acompanhar o processo de transmissão da tradição oral há um processo de reinterpretação. De cada vez que uma tradição é articulada, tem que lhe ser dado um significado apropriado ao contexto, ou ao gênero em que foi articulada. Esta necessidade de reinterpretação está muitas vezes por trás das transformações da própria tradição.(Fentress & Wickham, 1994, p. 109)

Com essa reformulação ao longo dos anos e com o a invenção de um significado positivo para o termo, foram fundados centros com o objetivo de recriar os costumes do gaúcho que incluíam a música, a dança, entre outros elementos da sua cultura. Na passagem abaixo podemos ver o novo significado para o termo:

The gaucho was, first all, equestrian. Learning to ride and rope wild animals from infancy, he could handle his horse, lasso, and “boleadoras” with a great dexterity. A nomad, he had a strong love of freedom and mastery over himself. Prodigal of time and money, his preoccupations went no further than a horse to ride, and a prairie to roam over. The abundant livestock furnished him with food and hides which he traded for his bare necessities. Conditioned by the untamed, primitive life of his environment, he was governed entirely by his instincts; yet he could be deeply superstitious, sentimental, and fatalistic. Rash, brave, and courageous, he was, nevertheless, friendly and hospitable toward friend and strangers alike, and was ever ready to assist a friend in danger. Essentially at peace with man, he was quick to defend his honor and avenge an affront with a lightning thrust of his “facón”.(Murguia, 1986, p. 307)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A Coisa mais eclética do mundo


Estava quase sem postar nesse blog, estava sem idéias ou as achava sem graça. Queria que todos os post fossem bons e isso fazia com que as postagens fossem escassas. Entretanto, lembrei o dito que vovô dizia: "Meu filho, papel é a coisa mais eclética do mundo, aceita da poesia à merda." Nada sutil; mas, sem dúvida, uma verdade incontestável.
Sim, mas qual é a relação entre a sabedoria do meu avô e volta de minhas atividades no blog?
Cheguei a seguinte conclusão, a internet é o papel dos dias atuais.
Até hoje não logrei fazer poesia, mas me aproveito do ecletismo e sigo no extremo oposto. Quem sabe um dia publico alguma poesia, mesmo que a autoria não seja minha; e provo que vovô ,apesar da delicadeza, não estava a falar asneira.


Obs: Agradeço ao vovô que transmitiu conhecimento popular de maneira clara e direta. Também, agradeço a Boris Fausto pelo recurso retórico utilizado no segundo parágrafo do post que foi inspirado, melhor, copiado do seu livro História do Brasil.



POESIA

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 12 de setembro de 2009

Humildade




Não sou louco, apenas vejo o sol!