
"Lembro-me do dia que chegou a minha casa, 26 de março de 1997. Pequena, rabugenta e fedida; mas bonita, tinha olhos cor de mel e pelagem tigrada. No começo, ela me mordia com seus pequenos dentes afiados, cavava no quintal, pulava o canil, derrubava-me, jogava futebol comigo. Com a idade, foi deixando todas essas artes.
Toda vez que chego em casa, lembra-me da adolescência. O tempo mostra suas marcas: os pêlos brancos, a visão embaçada, o sono pesado, a respiração ofegante; não resta mais muito tempo para minha fiel amiga. Esse período que ainda temos de convivência, tento tratá-la bem.
Não sofro por antecipação, sei que quando a hora dela chegar, irei sentir falta; entretanto isso não me aflige. A impotência em alterar a certeza de sua partida pronta, sim.
Antes desse momento, "
Esse foi um rascunho de um post de deixei de postar. Hoje(2/07/2010), meu amor descansou. A impotência diante do ocorrido incomoda, porém incomoda mais o vazio na frente de casa. Ela que de lá nunca saía, vai deixar-nos definitivamente.
Os olhos cor de mel tinham, hoje, olhar de adeus. Eu que nada podia fazer a retribuía com olhar de amor.
Cinco horas após sua morte sinto mais forte que o adeus fora definitivo.
Obrigado pelos 13 anos de companhia!
